Este blog tem como objetivo documentar a aventura que será frequentar este mestrado

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Autenticidade e Transparência na Rede




Tiny gerente de rh procurando um candidato a emprego. entrevista, lupa, ilustração vetorial plana de tela de computador. carreira e emprego

     

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Falar de autenticidade[1]  e transparência[2] é falar, de acordo com o dicionário, da qualidade do que é ser autêntico, verdadeiro; e qualidade do que é ser transparente e que vem do radical transpar (ecer), que nos remete para algo límpido. Mas será possível usar estes dois termos quando nos referimos à comunicação e ao uso da rede.

Segundo Castells uma sociedade em rede é o resultado das relações que se estabelecem entre o social, o económico e o moral. Deste jogo de forças organiza-se a rede, que não são mais do que as ligações que promovem a interdependência entre todos os que a utilizam e se ligam virtualmente. Neste sentido, Lévy defende que a rede se organiza num mundo digital em que parte da realidade, do mundo da significação se funde com o mundo virtual. Logo, o ciberespaço, onde se desenvolve a rede, é um meio de interconexão mundial em que cada um pode assumir diferentes papéis. Por este motivo, organiza-se como um sistema aberto em que há uma mudança constante, e em que os significados fazem parte do simbólico e da sua relação com o real.

Já Baudrillard vem referir que é quase impossível separar o mundo real do mundo virtual pois, estamos num mundo hiper-real em que o excesso de informação nos deixa “ desinformados”. Neste sentido, Baudrillard refere que vivemos numa simulação em que temos uma presença ausente, pois ao criarmos uma imagem nem sempre a mesma corresponde à realidade.

Estas ideias levam-nos a refletir sobre a nossa identidade virtual vs a nossa identidade privada. Será que é o mesmo? Será que fazemos usos diferentes da nossa identidade? Ou será que temos diferentes identidades? Será a nossa identidade virtual um prolongamento da nossa identidade pessoal?

A falta de verificabilidade física, de uma entidade que faça a validação, no mundo virtual ou de ligação à rede, leva a que possa existir uma manipulação, uma criação de uma identidade que não corresponda à identidade pessoal, mas sim à identidade que eu gostaria de ter, e que crio quando me ligo na rede.

Assim, as identidades que se criam no acesso à rede, por não terem uma entidade “fiscalizadora” ou de validação, permitem que se possam falsear informações. Deste modo, e como a rede é construída pelas informações que cada um coloca sobre si, a mesma pode não corresponder à verdade.

A identidade virtual resulta do que definimos como “verdadeiro” na rede, e nesse campo nos define, mas que pode estar desfasado da realidade. No digital temos a possibilidade de direcionar os outros para uma imagem de nós, que pode não corresponder à realidade. Assim falar de autenticidade e transparência na rede não é passível de se assumir como fácil.

A verdade é que a internet ( a rede) quando usada sem autenticidade permite criar um “ eu” à semelhança do que idealizamos para nós e que pode não corresponder ao real. A rede passa então a ser um facilitador de fraude, uma vez que não há validação destes dados. Esta autenticidade e transparência está intimamente ligada à capacidade que cada um tem de usar a sua liberdade para não enganar/defraudar os outros. Esta realidade vai ao encontro de algumas das ideias de Baudrillard que defendia que a realidade deixa de ser a mesma, passando a ser um simulacro, uma simulação, em que o real é substituído pelos seus signos. De acordo com esta perspetiva, há uma mistura entre a identidade virtual e a identidade pessoal, que se refere ao modo como nos posicionamos e identificamos na rede e que interfere, ou tem repercussões, no modo como vivemos na realidade e nas conexões que estabelecemos fora da rede.

Como refere Lévy, não é possível separar o virtual do real, pois estes dois “mundos” complementam-se e relacionam-se influenciado as relações dentro e fora de cada um deles.

Tal como na vida real, a vida virtual passa pela noção que cada um tem do modo como quer conduzir a sua conduta perante os outros. Se a nossa perspetiva é de autenticidade e transparência, as informações que colocamos na rede vão estar de acordo com esses princípios; por outro lado se o nosso intuito é “criar” uma personagem para “habitar” uma rede que satisfaça o “meu ideal”, então o uso de autenticidade e transparência pode estar comprometido.

Importa, no entanto, refletir sobre: 

Será que na vida real a nossa identidade é sempre a mesma? Ou será que também a moldamos em função dos contextos em que nos encontramos?



Referências Bibliográficas 

Baudrillard, J. (2001) Simulacros e Simulação. 2a edição. Lisboa: Relógio d’Água.

 Castells, (2006) “Informacionalismo, redes y sociedad red. Una propuesta teórica”. In Castells, M. (ed.) La sociedad Red. Una visión global. Madrid: Alianza. (2006) “Informacionalismo, redes y sociedad red. Una propuesta teórica”. In Castells, M. (ed.) La sociedad Red. Una visión global. Madrid: Alianza

 Lévy, P. (2000) Cibercultura. Lisboa: Piaget.  

 



[2]https://dicionario.priberam.org/transpar%C3%AAncia 

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